A História de um Grão de Café Torrado.
Os gãos de café torrados são extremamente parecidos com carcaças - ou papos-secos -, também elas torradas até perto da carbonização. A única diferença reside nas rachas: a do café é, por norma, subtilmente curvada em forma de "S", enquanto a das carcaças é aleatoreamente tosca.
Imaginem pois a conjugação das seguintes situações:
Primeiro: um grão de café cuja racha, por um inexplicável erro de produção, não descreve uma curva tão acentuada, como está estipulado que descreva, segundo os cânones mundiais de fabrico de café; Segundo: o erro ter sido tão grande que, em boa verdade, a sua racha não descreva qualquer tipo de curvatura, sendo até algo tosca...; Terceiro: uma besta qualquer, que é capaz de acreditar que um papo-seco pode minguar caso seja deixado tempo demais dentro de uma torradeira ligada; Quarto: uma pessoa capaz de dizer precisamente isto à besta; Quinto: o Sr Grão Tosco ter caído exactamente dentro do pacote comprado pela pessoa referida no ponto anterior; Sexto: essa pessoa ser, também ela, pouco sã e ter o costume de olhar cada grão de café que compra, reparando por isso no Sr Grão Tosco; Sétimo: essa pessoa dizer aquilo à besta sua conhecida (este conhecimento pode ser tido como o ponto sexto e meio); Oitavo: a besta confundir efectivamente o grão de café com uma carcaça esquecida dentro de uma torradeira!; Nono: a besta ter muita fome; Décimo: a besta ter uma faca afiada, daquelas que até um grão de café torrado são capazes de cortar ao meio!; Décimo primeiro: a besta gostar de torradas com compota e ter compota em casa.
É desta forma que alerto as entidades competentes, para os perigos inerentes à produção defeituosa de café e para a necessidade de manter esta indústria sob rigorosa supervisão, não queiramos nós depararmo-nos com acontecimentos menos agradáveis, como a notícia de intoxicação alimentar de um qualquer atrasado mental, por gustação e posterior ingerimento de um grão de café torrado, com compota de framboesa.
PCH
Imaginem pois a conjugação das seguintes situações:
Primeiro: um grão de café cuja racha, por um inexplicável erro de produção, não descreve uma curva tão acentuada, como está estipulado que descreva, segundo os cânones mundiais de fabrico de café; Segundo: o erro ter sido tão grande que, em boa verdade, a sua racha não descreva qualquer tipo de curvatura, sendo até algo tosca...; Terceiro: uma besta qualquer, que é capaz de acreditar que um papo-seco pode minguar caso seja deixado tempo demais dentro de uma torradeira ligada; Quarto: uma pessoa capaz de dizer precisamente isto à besta; Quinto: o Sr Grão Tosco ter caído exactamente dentro do pacote comprado pela pessoa referida no ponto anterior; Sexto: essa pessoa ser, também ela, pouco sã e ter o costume de olhar cada grão de café que compra, reparando por isso no Sr Grão Tosco; Sétimo: essa pessoa dizer aquilo à besta sua conhecida (este conhecimento pode ser tido como o ponto sexto e meio); Oitavo: a besta confundir efectivamente o grão de café com uma carcaça esquecida dentro de uma torradeira!; Nono: a besta ter muita fome; Décimo: a besta ter uma faca afiada, daquelas que até um grão de café torrado são capazes de cortar ao meio!; Décimo primeiro: a besta gostar de torradas com compota e ter compota em casa.
É desta forma que alerto as entidades competentes, para os perigos inerentes à produção defeituosa de café e para a necessidade de manter esta indústria sob rigorosa supervisão, não queiramos nós depararmo-nos com acontecimentos menos agradáveis, como a notícia de intoxicação alimentar de um qualquer atrasado mental, por gustação e posterior ingerimento de um grão de café torrado, com compota de framboesa.
PCH


3 Comments:
At 5:50 p.m.,
Miguel Costa said…
Podia estar aqui a escrever a "história de um Pedro Castro Henriques torrado" mas não tenho tempo
At 12:49 a.m.,
Miguel Costa said…
acho mal andares a fazer mais "refrescos" neste blog do que no outro! 130 a 50 até agora. obrigas-me a empatar a coisa através de 80 segundos de clicanços
At 3:15 p.m.,
Anónimo said…
Brilhante! Este post fez-me olhar com outros olhos o mundo do café. Agora, apalpo sempre a carcaça que vou comer para me certificar que é mesmo o que aparenta ser. Obrigado, Pedro!
Miguel Remédio Pires
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