Crítica à crítica
Regozijo de cada vez que leio uma daquelas críticas musicais, que de quando em vez surgem na Y, do jornal Público.
É fascinante ver como, aos olhos de quem as escreve, qualquer profissional da música não perfaz mais que uma promíscua amálgama de influências, a maioria delas retrógadas. Em poucas linhas, o jornalista, autêntico Erudito do Som, dismistifica e intelectualiza cada passagem, cada acorde de cada música, com bujardonas sonantes que nos deixam sem fôlego e incapazes de contra-argumentar, tal é a diversidade e a complexidade das adjectivações e referências utilizadas pelo Mestre do Som.
É que é por estas e por outras que eu não sou grande entendedor de música, e garanto-vos que o gostava de ser!, mas a ler artigos da Y não o serei nunca, quanto muito poderei manter-me informado!
Porque quando me dizem que um CD pode colocar "os 'brooklynitas' Gang Gang Dance lado a lado com a elite do 'novo rock', aquele que chega fracturado, agreste e oblíquo de uma realidade simultaneamente urbana e mística, com epicentro produtivo em Nova Iorque."; ou que o novo, "e demasiado conceptual", disco dos Coldplay mistura um pouco, "como é seu costume", de David Bowie, dos U2, de Manic Street Breachers, entre outros, numa "abordagem melodramática da cultura rock-pop dos anos 1990." (este até entendo no conteúdo, mas não compreendo na forma!), eu sinto-me o maior ignorante à face da Terra, no que diz respeito à cultura musical.
Ninguém lê críticas literárias que procurem exaustivamente fundamentar a prosa de um escritor contemporâneo, em correntes literárias forçosamente estabelecidas, como que a pretender justificar cada ponto final. As críticas literárias informam acerca do livro em questão, falam dele, dizem sobre ele e contextualizam-no de forma entendível, o que não é forçosamente o mesmo que dizer que o fazem de forma desinteressante e pouco fundada. Mas então porque serão tão incompreensíveis as notícias do mundo da música? Porque qualquer uma que eu leia me parece fabricada para satisfação pessoal do escritor e nunca para servir como fonte de informação do leitor...
Posso apenas estar a revelar "nua e crua" a minha enorme ignorância, mas sinceramente, e modéstia à parte, acho que não: acho que estes críticos musicais de que falo são uns pretensiosos pseudointelectuais, que desperdiçam todo o seu conhecimento (pois talvez realmente o tenham), na vaidade, pirosice ou presunção da sua produção literária. E tenho dito!
PCH
É fascinante ver como, aos olhos de quem as escreve, qualquer profissional da música não perfaz mais que uma promíscua amálgama de influências, a maioria delas retrógadas. Em poucas linhas, o jornalista, autêntico Erudito do Som, dismistifica e intelectualiza cada passagem, cada acorde de cada música, com bujardonas sonantes que nos deixam sem fôlego e incapazes de contra-argumentar, tal é a diversidade e a complexidade das adjectivações e referências utilizadas pelo Mestre do Som.
É que é por estas e por outras que eu não sou grande entendedor de música, e garanto-vos que o gostava de ser!, mas a ler artigos da Y não o serei nunca, quanto muito poderei manter-me informado!
Porque quando me dizem que um CD pode colocar "os 'brooklynitas' Gang Gang Dance lado a lado com a elite do 'novo rock', aquele que chega fracturado, agreste e oblíquo de uma realidade simultaneamente urbana e mística, com epicentro produtivo em Nova Iorque."; ou que o novo, "e demasiado conceptual", disco dos Coldplay mistura um pouco, "como é seu costume", de David Bowie, dos U2, de Manic Street Breachers, entre outros, numa "abordagem melodramática da cultura rock-pop dos anos 1990." (este até entendo no conteúdo, mas não compreendo na forma!), eu sinto-me o maior ignorante à face da Terra, no que diz respeito à cultura musical.
Ninguém lê críticas literárias que procurem exaustivamente fundamentar a prosa de um escritor contemporâneo, em correntes literárias forçosamente estabelecidas, como que a pretender justificar cada ponto final. As críticas literárias informam acerca do livro em questão, falam dele, dizem sobre ele e contextualizam-no de forma entendível, o que não é forçosamente o mesmo que dizer que o fazem de forma desinteressante e pouco fundada. Mas então porque serão tão incompreensíveis as notícias do mundo da música? Porque qualquer uma que eu leia me parece fabricada para satisfação pessoal do escritor e nunca para servir como fonte de informação do leitor...
Posso apenas estar a revelar "nua e crua" a minha enorme ignorância, mas sinceramente, e modéstia à parte, acho que não: acho que estes críticos musicais de que falo são uns pretensiosos pseudointelectuais, que desperdiçam todo o seu conhecimento (pois talvez realmente o tenham), na vaidade, pirosice ou presunção da sua produção literária. E tenho dito!
PCH


1 Comments:
At 3:48 p.m.,
Anónimo said…
Mais do que criticar a música o que falta à maioria das pessoas é aprender a ouvi-la.
Se pensarmos, o que é que faz com que a música seja tão apelativa? Porque é que se pode tornar muito mais agradável (e aqui já falo por mim) ouvir versos quando cantados com o acompanhamento de umas cordas e uns paus, que produzem sons, que retirados do contexto nada significam? Porque é que repetir o mesmo refrão é monótono numa poesia e envolvente numa música?
Para mim a música é a combinação perfeita entre o que vem da nossa cabeça e o que vem do que vem de fora (pessoas, natureza - não esquecer como foram os primeiros instrumentos...)
Por isso concordo plenamente contigo - rotular a música desta maneira não é só "pretensioso" como lhe tira o significado...
Beijinhos,
Inês
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